22 de maio de 2026

Geraldo Vieira segura cabo de vassoura, onde acoplava a Rolleiflex, e posa ao lado de indígena Carajá, no dia da Primeira Missa em Brasília. — Foto: Divulgação/Geraldo Vieira

Fotos inéditas revelam construção de Brasília e preservam legado do fotógrafo araguarino Geraldo Vieira

Um conjunto de imagens pouco conhecido do público está ajudando a recontar os primeiros anos de Brasília a partir do olhar do fotógrafo mineiro Geraldo Vieira. Produzidas na década de 1960, as fotografias registram momentos marcantes da construção da capital federal e agora ganham destaque em uma publicação inédita.

Congresso Nacional em construção. Bandeira do Brasil no meio do canteiro simboliza caráter nacional da empreitada. — Foto: Divulgação/Geraldo Vieira

Ao todo, o acervo reúne mais de 500 imagens, das quais 130 foram selecionadas para o livro “Brasília – Geraldo Vieira”, já disponível para compra online. A obra resgata cenas históricas e reforça a importância do trabalho do fotógrafo na documentação de um dos períodos mais emblemáticos do país.

Admirador declarado do então presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela idealização da nova capital, Geraldo Vieira acompanhou de perto a transformação do Cerrado em cidade. Entre os registros está a primeira missa celebrada em Brasília, em 3 de maio de 1957, quando o local ainda era um grande canteiro de obras.

Além do olhar apurado, o fotógrafo também se destacava pela criatividade. Para conseguir imagens em meio à multidão, ele adaptou sua câmera Rolleiflex a um cabo de vassoura com um mecanismo improvisado para disparo — uma solução considerada à frente de seu tempo, semelhante a um “pau de selfie” artesanal.

As fotografias mostram desde a fase inicial das construções até a conclusão de prédios que se tornariam símbolos da cidade, evidenciando características marcantes da arquitetura local, como os pilotis, os amplos espaços e os azulejos. Também há registros do cotidiano da época, incluindo acampamentos de trabalhadores e eventos realizados logo após a inauguração da capital.

O acervo foi estudado pela jornalista e doutora em história Fernanda Torquato, que organizou a publicação com o apoio da família do fotógrafo. Segundo ela, o trabalho representa não apenas um registro histórico, mas também um compromisso em manter viva a memória de Geraldo Vieira.

Para o neto do fotógrafo, Henrique Vieira, a divulgação do material tem grande valor histórico e educativo. Ele destaca que o acervo deixado pelo avô ultrapassa 80 mil negativos e reforça a importância da fotografia como ferramenta de preservação da história.

Com informações do G1/DF